Mais perto de Bowie

No último final de semana fui à São Paulo com um objetivo específico: chegar mais perto de David Bowie. Em um close tão preciso quanto rápido, fiquei querendo mais.

A visita ao MIS (Museu da Imagem e do Som) foi bacana e surpreendente desde a chegada. O movimento fora do normal não era todo posse de Bowie. A muvuca era prestígio à #FeiraPlana, que reúne arte caseira, fina, elegante e sincera. A nata hipster paulista apresentava quadros de diversas técnicas, fanzines, cards, live painting, entre outros. Introdução perfeita para conhecer o recorte da vida de um dos artistas mais precoces e inspiradores que já ouvi falar.

Depois de uma fila rápida, começa a odisséia, digo, exposição com Space Oddity invadindo os fones. Nas paredes, pôsteres e, envidraçadas, partituras, anotações, figurinos e ensaios do que seria uma das maiores obras de David Bowie, uma ode à Kubrick, a descoberta do espaço, a revelação do esquisito, o reconhecimento da solidão.

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Ao longo dos corredores que conduziam pelos caminhos de astro, cada um cantava, dançava, sorria e chorava abduzido pela atmosfera espacial. Em seguida o som se transforma em Starman, com vídeos, figurinos e outros detalhes. O caminho estava temperado por Scary Monsters, Diamond Dogs, Aladdin Sane, as cifras de Fame e muito mais material capaz de transportar você até os anos 70.  A exposição não necessariamente respeita uma ordem cronológica, o que fica claro quando você encontra a década de 60, peregrinação do astro rumo ao sucesso, toda em uma sala já no final da visitação.

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Os raios em neon azul apontavam ao andar inferior, cortado pelos figurinos, anotações preciosas e um vídeo até então inédito pra mim: um clipe teatral de The Man Who Sold the World. Olhos marejados com os detalhes descritos de toda a apresentação. É de conhecimento público que o revolucionário do pop é genial e completo, centralizador do conceito de sua arte, mais do que dar aval, ele assume cada etapa. Mas presenciar a meticulosidade com a qual ele trata cada detalhe de uma produção é inspiração explicita.

Em um novo ambiente, trechos de alguns de seus filmes – não os principais, Fome de Viver (1983)  estava de fora da seleção -, mas vinham obras como Homem Que Caiu na Terra (1976),  Furyo, Em Nome da Honra (1983), Labirinto (1986) e o Grande Truque (2006), pra dizer algumas. A vocação na mímica – previsão de que máscaras e personagens o seguiriam pela carreira, as noites de Nova York, as artes de Berlim, os personagens, os figurinos que para sempre ditarão moda, tudo documentado em tecidos, em manuscritos, em desenhos, em fotos lendárias que somam mais de 300 objetos. Tudo direto da terra de Bowie, mais precisamente do Victoria & Albert Museum de Londres, simbolizando o bom tempo de intercâmbio criativo entre Brasil e Inglaterra.

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Tudo já é totalmente incrível e encantador até o abrir da última cortina daquela sala. Aí fica impossível conter as lágrimas. Um telão em 360º que exibe Heroes, desde Gladstonbury, apresentação em 2000. É nessa hora que a grandeza da produção de Bowie, de sua genialidade, de sua vanguarda sonora e visual e, sobretudo, a beleza e a coragem que emana dessa letra em específico, nos faz perceber que inspirados por ele, todos nós podemos ser heróis.

PS: Desculpem pela qualidade das fotos, elas foram todas roubadas, pois era proibido fazer registros. Mas fotografar o Bowie não pode ser um crime, não é mesmo?

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DAVID BOWIE
MIS. Avenida Europa, 158, Jd. Europa, 2117-4777.
3ª a 6ª, das 12h às 20h; sáb., das 11h às 21h;
dom. e feriados: das 11h às 20h
Ingressos: R$ 10 (terça-feira é grátis)
Ingressos Online: R$ 25,
Até 20/4.

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