O novo TROPICALISMO

Uma análise feita por um novo modelo de metodologia realizada pelo cinema, chamado de DISPOSITIVO DA NARRATIVA, que busca nas sensações do espaço e linguagem um sentido orgânico manifestado pelo diálogo naturalista e ressignificado ao “acaso”.

A música sempre foi um dos movimentos de expressão mais ligados à antropologia, indicando num raro efeito direto da cultura, pensamento e discurso daqueles que a fazem e também por aqueles tocados pelo som.
Através do show do Devendra em parceria com Rodrigo Amarante realizado em Porto Alegre, nesta última segunda-feira no bar Opinião, algo me saltou aos olhos de forma angustiante e fez brotar em minha sagaz tentativa de descoberta, outros destinos e caminhos que aqueles caras do palco – naturalmente homens – estavam tentando me dizer além das músicas tocadas.
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O que via naquele show era uma influência enorme de uma história que se mostrava interessante pela ruptura da DIFERENÇA que começou em 1969 com seu marco inicial no Festival de Música Popular da TV Record – com o movimento de vanguarda Tropicalista – liderado por Caetano Veloso – o cara sensual do momento e de uma delicadeza intermitente. Naquele momento da história víamos algo inovador – mesclado por uma estética nada convencional e proposto por este novo olhar que vinha da América ligada a sua guitarra elétrica.
Seguindo o modelo híbrido destaco na lembrança o mega artista Ney Matogrosso, inicialmente dentro do grupo “Secos e Molhados” e depois em carreira solo, legitimava sua atuação performática e teatral, mas não por pura coincidência já que o mesmo era também iluminador de palcos e percebia na pluralidade de suas inadequações nada especialistas para a época – um querer:  ”quero que as luzes provoquem sensações nas pessoas.” Percebia que a arte alterava o olhar daqueles que eram tocados e ali nascia um movimento sutil de mudança dada pelo doce lirismo do colorido e teatral.
 
Nesta mesma batida vem Cazuza e Legião Urbana que também compuseram de forma romântica a sua expressão de mudança – mas vista ainda como diferença – naquela época, por deixarem claro sua possibilidade de gostar de meninos e meninas em suas canções.
Há 12 anos escuto Los Hermanos e sou apaixonada por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante que deixam evidente em suas melodias a falta de testosterona, do qual fez surgir o disco solo, de Camelo – “Sou e Toque dela” e “Cavalo” de Amarante – trazendo ao palco a possibilidade de música macia feita por um homem (das cavernas) de barba e hétero.
 
Toda esta historinha - que se iniciou como movimento da diferença ao longo destes 40 anos, traz consigo algo muito particular e liga hoje outros tantos por novos motivos – o sentido de INTEIREZA (sentido feminino de algo que é inteiro). Com isso, percebemos hoje – um novo modelo de Tropicalismo – entre os jovens “héteros” se interessando por uma estética de possibilidades do qual traz Devendra como personagem principal contemporâneo iluminando o nova influência descrita pelo feminino que mostra o SENTIDO através de seu show performático e teatral que faz com que nos debrucemos a este novo comportamento masculino total sensualizado pelas POSSIBILIDADES abertas de voluptuosas sensações.
 
A este novo comportamento masculino dei o nome de “O novo Tropicalismo”, um tropical que mostra o “frescor” deste novo estilo de homem – mais delicado e com uma expressão dada por sua música altamente feminina.
 
Eles saíram de suas cavernas e hoje trocam sentimos – de amor – além de gênero – em corpos sutilmente femininos ou não… A onda é do talvez.
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