Quando o show é bom, nunca tem fim!

Convidamos o jornalista Marcelo Jaguara Franco para um ponto a ponto sobre o show de duas bandas que, para ele, estão entre as melhores do país: Ultramen e O Rappa. Confere!

Vamos por partes, como bem gosta o Jack, the Ripper:

1 – Conforme o alerta de todos, o som do Pepsi on Stage não é bom nas laterais, parece que foi projetado pra atender só quem fica posicionado frontalmente ao show.

Outras duas falhas que identifiquei na casa: uma confusão com relação aos bares e copas, pois alguns só aceitam dinheiro, outros só tickets já adquiridos anteriormente no Caixa e outros só cartão. Porra, decidam-se e parem de confundir o cliente! Unifiquem o sistema, tudo só na base da ficha já comprada!

Porém, algo positivo nesse sentido: há vendedores ambulantes servindo o pessoal no meio da pista, sem necessidade de se deslocar da frente do palco para buscar um trago. Porém, pelo que percebi, cobram extra por este serviço, superfaturando o valor: a ceva, que custa R$ 7,00 no balcão, na mão dos volantes passa a valer R$ 8,00.

Outro detalhe negativo foi a questão dos banheiros: ridículo só ter 4 banheiros químicos e um banheiro fechado para o público masculino e a mesma quantidade para o feminino, em um evento com milhares de pessoas. Uma verdadeira epopeia / odisseia conseguir dar uma prosaica mijada.

2 – Sobre os shows em si: Ultramen simplesmente destruiu, matou a pau, dominou a massa, fez todo mundo pular, cantar junto, dançar, se emocionar, enfim, mostrou porque tem uma trajetória gloriosa no cenário local, regional, nacional. E, no frigir dos ovos, ouso dizer o seguinte (alguns compartilharam da mesma ideia após o final do evento): foi O Rappa que veio aprender mais com eles do que eles com a banda carioca.

Os músicos da Ultramen são mestres, tocam de tudo com extrema excelência, são muitas vertentes das quais se alimentam e conseguem expressar isso dosando com perfeição cada elemento. Discorreram da soul music ao reggae roots e dub, passando por todos os ritmos brasileiros que se pode imaginar; tiveram alguns momentos de ‘pegada pesada’, com influência punk, hardcore e afins; mesclam rap com rock de primeira e tudo mais. Rolou até uma espécie de homenagem ao Rage Against the Machine e ao System of a Down!

Depois dessa apresentação, saí com a impressão de que são capazes de tocar qualquer coisa que decidirem musicar, sem exceção alguma!

Resumindo, sem palavras! Duvido alguém que se diga aficcionado em boa música que não respeite os cabras. Boa parte do público teria ido da mesma forma caso fosse show só deles, sem mais nada.

Longa vida ao que o Sul oferece de melhor em termos musicais. Saí com a fé e admiração nos caras renovada!

O Rappa, por sua vez, mostrou que não brinca em serviço nunca. O disco novo, “Nunca tem fim”, está muito bom, segue a mesma linha dos anteriores e consegue fazer uma crônica do cotidiano carioca que se estende ao do Brasil. Impossível não se identificar com as histórias que contam e não se impressionar com a performance do Falcão, pra mim um dos maiores vocalistas do país, sem dúvida alguma.

O visual todo de palco também está muito caprichado, com várias projeções em 3D muito iradas, o efeito dos contêineres dá a dose final à ambientação que o som deles propõe. Estão de parabéns, showzaço também, identidade total com o público, respeito e gratidão pelo incentivo ao longo desses 20 anos de trajetória.

Conseguiram dosar legal também as composições novas com velhos clássicos, que botaram a casa abaixo, como “Homem amarelo”, “O que sobrou do céu” e “Pescador de ilusões”, que simplesmente extasiou a plateia!

Destaque também para o guitarrista Xandão, que destruiu, mandou muito bem nos solos e nas partes em que era destaque. Baita profissional!

3 – Frustração e balde de água fria

Porém, talvez o ápice da noite, o momento mais aguardado e imaginado pelos fãs, não aconteceu. Não rolou a prevista jam session entre as duas bandas, que inclusive a imprensa noticiara. Sequer “Dívida” foi tocada junto com o Falcão, deixando uma lacuna no imaginário que realmente levou muitos à frustração – tipo eu.

Seria realmente sensacional fechar a noite com as duas bandas no palco lado a lado, mas, sabe-se lá porque, não rolou. Talvez pelo tempo, afinal O Rappa saiu do palco já umas 4h da matina, sem nem bis.

Fica o registro visual de alguns dos momentos e dos elementos presentes!

O Rappa - Pepsi on Stage2

O Rappa - Pepsi on Stage1

Ultramen - Pepsi on Stage2

Ultramen - Pepsi on Stage1(1)

 

Por Marcelo Jaguara Franco

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