A Marca da Água – Entrevista com o diretor Paulo de Moraes

 

Paulo de Moraes, diretor do Armazém Cia. de Teatro

O Armazém Companhia de Teatro trouxe para Porto Alegre, através do Festival Palco Giratório do SESC, o espetáculo A Marca da Água, com direção de Paulo de Moraes, que conta com Patrícia Selonk, Ricardo Martins, Marcelo Guerra, Lisa E. Fávero e Marcos Martins no elenco. O texto é de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes, a direção musical é de Ricco Viana, a cenografia de Paulo de Moraes, a iluminação de Maneco Quinderé e os figurinos são de Rita Murtinho.

A Companhia, que completou 25 anos de sua formação, tem a brilhante direção de Paulo de Moraes, e nós fomos conversar com ele para saber um pouco mais sobre este espetáculo e sobre os planos para o futuro do Armazém Cia. de Teatro.

Como foi para você ter escrito e dirigido o espetáculo? O que veio primeiro e como é esta relação?

Nunca sei… Quando a gente começa um processo de montagem de um espetáculo no Armazém eu acho que a gente entra em um buraco escuro. A gente tem uma vaga ideia do que a gente quer falar, tem uma vaga ideia de elementos com os quais a gente quer trabalhar, mas a gente não sabe exatamente.Eu queria trabalhar com água, queria que a água estivesse no palco, daqui a pouco eu comecei a achar que a água tinha que estar presente na história de uma forma muito determinante. Daqui a pouco eu achei que a água tinha que ir para dentro da cabeça do personagem. E então existe alguma coisa. Mas eu nunca sei o que veio primeiro.

O texto surgiu do processo de criação?

Totalmente! A gente entrou na sala para fazer uma pesquisa formal, a gente queria trabalhar com o elemento água. Depois a gente começou a querer trabalhar com a água e queria que o espaço modificasse o tempo, ou seja, a gente queria que cada vez que o personagem entrasse na água o tempo da história dele fosse outro. Ou fosse para o passado, ou fosse para o futuro, ou fosse para uma alucinação, fosse pro sonho. A gente queria que o espaço modificasse o tempo, que a água modificasse o tempo. E a partir daí foi surgindo a história, foi bem processual.

Vocês falam que querem trabalhar com novos códigos e com novas formas de se relacionar com o espaço. A água também foi uma alternativa para quebrar com este espaço?

Sim, totalmente. Porque cria uma instabilidade muito grande para o ator. É tudo diferente quando você entra na água. Você perde a segurança. Eles já caíram no ensaio, já se machucaram. A água às vezes está fria demais. Cria uma instabilidade que o teu corpo tem que reagir a isso, então você sai de uma zona de conforto. Você não está confortável quando vai trabalhar, você está instável. E esta instabilidade, para mim, é positiva, pois faz com que você reaja com uma força mais vital. É um risco o tempo todo.

Como foi para vocês trazerem este espetáculo que foi feito na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, para o Theatro São Pedro, aqui em Porto Alegre. Como este espaço modifica o espetáculo?

A gente tem viajado bastante. Fizemos uma temporada longa no nosso espaço, que é para 130 pessoas. Este espetáculo foi feito para ser visto de cima, porque a gente queria que o público visse a água. Então lá no nosso espaço tudo isso é perfeito. Tudo foi feito para aquele espaço, e quando você começa a viajar já começa a mudar. Então a gente foi para São Paulo apresentar em um teatro de 400 lugares, o que já tomou uma dimensão diferente. A gente foi para Curitiba fazer em teatro de 700 lugares e já ficou diferente. Fomos para Belo Horizonte fazer em um teatro de 1.300 lugares e já era outra coisa. E nós viemos para cá fazer neste tipo de teatro que é lindo, mas que a formatação é diversa. O espetáculo vai se completando com o público. Eu também não tenho um apego muito grande a ter que fazer sempre da forma que eu criei, pois eu acho que a partir do momento em que você vai para a estrada você tem que estar aberto à mudança.

E quais são os próximos projetos da Armazém Cia. de Teatro?

Semana que vem nós estamos indo para Portugal com um outro espetáculo chamado Toda Nudez Será Castigada. Depois, daqui a duas semanas nós vamos para Montevidéu, com este espetáculo aqui, que nós vamos fazer no Teatro Solis. Depois nós voltamos para o Rio de Janeiro e fazemos uma temporada de um mês e meio novamente. E vamos para a Escócia para o Festival de Edimburgo, durante o mês de agosto. E no restante do ano temos algumas viagens aqui no Brasil ainda.

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