Mario Wagner, a pop art e a bomba atômica

Mario Wagner é um dos artistas talentosos e criativos de sua geração. Ele vem de Köln, na Alemanha, onde tiveram origem suas imagens que misturam a cultura pop com as angústias da vida moderna e incríveis doses de surrealismo.

Wagner se formou como ilustrador em 2002. “No mesmo ano havia descoberto a colagem. Eu sempre amei o expressionismo abstrato de Robert Rauschenberg, a precursora pop art de Richard Hamilton e o contraste das composições de Kurt Schwitterse. Tudo isso me inspirou e senti que era o momento para começar algo novo. Foi uma das escolhas mais acertadas da minha vida”, lembra o artista. Na época, o diretor de arte de uma famosa revista experimental alemã sobre música se encantou com seu trabalho e abriu espaço para uma ilustra de Wagner na capa de sua próxima edição. Foi um grande sucesso. Depois disso, bandas como a NotWist também caíram de amores pelo trabalho do cara, que adorou a experiência com encartes de discos. Com a exposição, novos clientes foram surgindo: Adidas, Mazda e Sony são algumas das marcas já estampadas pelas colagens do alemão. Seu trabalho não demorou em invadir grandes galerias pelo mundo, como a Cerasoli Gallery em Los Angeles. “As pessoas amaram” comemora Wagner. “Os temas fluem. Começo com uma foto e trabalho paralelamente com outras expressões, que conectadas pelo estilo, formam uma história. Todos os símbolos finalmente fazem sentido juntos. Em geral eles têm um sentimento típico, claustrofóbico, assustador, como se a qualquer momento uma bomba atômica fosse explodir”, entrega o artista.

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Referências industriais, imagens de guerra e até mesmo bolos fofinhos são visitados por cores chocantes, montando as intrigantes cenas de Wagner. “Se suas figuras fossem uma música, diria que era uma mistura de Kraftwerk com olhos de Bowie”, comentei com o artista. “Kraftwerk e David Bowie? A mistura parece boa, mas eu prefiro a combinação de Einstuerzende Neubauten e The Cure”, responde o alemão, defendendo que seu trabalho sempre trará aspectos tristes, solitários e fortes, coloridos, com muito mistura. Um recorte da vida real, a partir de fotografias das décadas 50, 60, e 70, gerando uma fácil identificação. “São fotos de quando nossos pais eram jovens ou da nossa própria infância”, explica ele, que é do ano de 1974. Seu objetivo é contar uma nova fábula com elementos destas memórias e sentimentos.

As peças extremamente humanas do universo artístico de Wagner parecem confirmar que a ansiedade é uma sensação atemporal e que a insegurança provocada pelos improváveis contrastes de seus filmes em pausa reflete uma narrativa muito familiar a todos nós.

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