Olhar livre no Madre Pelletier

O Gabinete da Primeira-Dama do Estado, Sandra Genro, e o Conselho Penitenciário do Rio Grande do Sul, promovem a exposição “Liberdade do Olhar: Novas Perspectivas de uma Vida no Cárcere”, que será aberta à visitação em 5 de fevereiro, 18h30, e fica até 1º de março no Palácio Piratini.

A inciativa amplia os horizontes de 24 internas da Penitenciária Feminina Madre Pelletier, selecionadas pelo critério de bom comportamento, que a  partir de uma oficina ministrada pelos fotógrafos Heverton Lacerda e Beliza Boniatti aprenderam técnicas fotográficas básicas e registraram seu mundo, angústias, sonhos e perspectivas de dentro do presídio.Conversamos com a Primeira-Dama para conhecer mais sobre o projeto que liberta os olhares das detentas.

Outros ângulos. Crédito: Heverton Lacerda

Outros ângulos. Crédito: Heverton Lacerda

Qual a origem do projeto?

Sandra Genro: Desenvolvemos um trabalho que há dois anos acompanha programas de diversas secretarias do Estado. Já realizamos cerca de 20 exposições, com temas como mulheres na construção civil, agricultura familiar, o projeto Primeira Infância Melhor… Ao mesmo tempo em que estreitamos nossa relação política com cada secretaria, incentivo em cada envolvido o que para mim é uma paixão: a fotografia. Com o Conselho Penitenciário da Secretaria de Segurança, organizamos um minicurso sob a orientação de Beliza Boniatti e Heverton Lacerda, que ensinaram o básico às detentas. Nós também participamos orientando, mas apenas do ponto de vista técnico, pois não influenciamos em nada o olhar delas.

Que resultado se revelou?

SG: São visões do presídio, do pátio. Elas demonstraram um olhar muito belo sobre o local que as prende, mas é também lúdico. Ao mesmo tempo que a lente capturou o sentimento doloroso da prisão, é possível ver um horizonte. Percebemos nas imagens a vida além do cárcere, o horizonte, o desejo de liberdade e conseguimos ver a beleza dentro do Madre Pelletier.

Como esse projeto influência no processo de recuperação das detentas?

SG: É emocionante ver o processo. Os resultados são muito positivos e queremos multiplicá-los, ampliar este programa, o número de mulheres envolvidas e estender para o presídio masculino, onde a abordagem é bem diferente e mais complicada. Mas Eu sempre digo: quando a gente olha através da câmera, vemos mais. Isso despertou a atenção de todas. As que não participaram ficaram ansiosas para fazer parte do grupo, o que incentiva o crescimento de todas. Essas mulheres, que em sua maioria estão nessa situação em função dos tráfico de drogas, muitas vezes obrigadas ou acobertando os maridos, precisam inicialmente serem vistas para se erguerem novamente. Me chamou a atenção o apelo de uma delas: ‘Muito obrigada e não esqueça da gente.’ Pois não vamos deixá-las no esquecimento.

LIRANE DE OLIVEIRA(media)

Registro de Liriane de Oliveira.

SINARA SILVEIRA(media)

Registro de Sinara Silveira

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Registro de Cristian do Carmo

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