Aquece pro MECA: um papo com TESS

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 Finalmente, vamos abrir os trabalhos falando de MECA Festival, o evento mais bacana do verão voltado ao público indie. Você provavelmente já sabe que o evento acontece dia 26 de janeiro em Xangri-lá , numa super estrutura à beira da lagoa, no maior astral natureza. Entre as atrações estão o duo australiano Flight Facilities, a banda canadense Dragonette e os nova-iorquinos Friends. Aterrissam também por aqui os grupos ingleses  Zulu WinterCitizens. As atrações nacionais são Holger, Database, Dis Moi e a Tess, banda composta por Saymond Roos, Rodrigo Fischmann e João Augusto, e liderada por Daniel Tessler, com quem conversamos para este primeiro post “mequianico”. Ele fala sobre seu passado efervescente, sua obsessão pelos Beatles e de um futuro que promete ser emocionante. Confere!

Tess. Créditos: Ricardo Lage

Tess. Créditos: Ricardo Lage

Depois de anos de Efervescentes, quais são as surpresas, delícias e amarguras da carreira solo?

Olha, a Tess é um trabalho diferente. Bem diferente daquilo que Os Efervescentes vinha fazendo. Na verdade a Tess não é um projeto solo. É uma banda! Eu só tive o azar de não ter a banda montada quando o disco foi gravado.. Mas é uma banda! No fim das contas acaba parecendo que é um projeto solo, mas acredite: fui o único que não topou o nome. Fui voto vencido! Mas sobre as delícias e amarguras de um trabalho novo: é sempre bom ter aquela expectativa de fazer algo inédito, diferente. Isso é muito especial. É algo que mexe com as emoções e dá vontade de mostrar pro mundo inteiro que tem vida própria. As amarguras são as mesmas. Fazer música aqui é bem complicado, passar pelo julgamento, começar outra vez do zero, ser comparado e/ou diminuído pelo simples fato de não ser um projeto conhecido. É difícil, mas as coisas vão acontecer. Tenho certeza!

Teu som se desgrudou do rótulo rock gaúcho. O que você herdou daquele espírito e o que faz questão de não seguir?

Herdei a localização geográfica, apenas.  Na realidade eu vejo o “fazer música” como algo que não se define geograficamente. Sou um brasileiro que faz rock, que não é brasileiro. É um estilo que começou nos Estados Unidos, depois Inglaterra. Única exceção brasileira reconhecida mundialmente são os Mutantes, que também começaram nos anos 60. Não sei se sou o único a pensar dessa maneira, mas esses muros do “gauchismo” sufocam e não deixam o rock existir aqui como deveria. Ao contrario da cerveja, o rock não é daqui. Abrir a cabeça, ver o que acontece fora daqui e não se achar o melhor do mundo. Rock é rock em qualquer lugar. Não somos a capital do rock no Brasil e talvez nunca tenhamos sido. Não quero seguir um tipo de som que foi feito aqui nos anos 80, mas copiando os anos 60 no estilo, falando de calcinha na cabeça, dançando como o Mick Jagger, etc. O mundo girou..! Referencias existem, claro! Nos anos 60 existiram as maiores bandas da história, mas estamos nos anos 2000. É uma boa hora para deixar de exaltar o passado, mas sim “apenas” valorizar a história como ela merece. Entende?

Anos 60 continuam presentes no teu som, mas o que se somou?

Fui no médico e ele disse que eu sofro de “beatlemania”. Eles são os maiores. Não tem como escapar, sou literalmente viciado nos Beatles. Além deles existem os Rolling Stones, Beach Boys, Jimi Hendrix e mais uma penca de bandas e músicos dos anos 50 e 60 que são sim os maiores do mundo. Chamo eles de “o primeiro escalão”. Essas referencias são naturais pra mim (e talvez para o resto do mundo que faz rock), mas eu sou muito fã de outras bandas novas. Sou fã de outros gêneros. Por exemplo: sou fã de Reggae. No disco da Tess tem um “pseudo-reggae”, meio soul, que compus junto com o Gabriel Azambuja, da Cachorro Grande. Sou fã do estilo britânico de pensar a música pop (lá o rock é o pop.) Vejo eles fazendo rock e gerando tendencias. Miles Kane, que é novo, tem dentro do seu estilo algo bem vintage, mas é moderno. Gosto MUITO do Supergrass, que infelizmente acabou em 2008. Gostei MUITO do disco solo do Gaz Coombes. Outras bandas novas que eu gostei bastante foram Tame Impala e o que o Jack White vem fazendo. Tem os Black Keys também. Tem muita gente.. Seria difícil.. Elementos eletrônicos dentro do rock. Elementos de música mais regional.. Tenho pensado em muitas coisas. Já tenho até um segundo disco na cabeça, e nesse gostaria de misturar muitas coisas que nesse não tive cabeça pra isso, não estava preparado. O grande negócio é fazer música e fazer o que se gosta dentro dela. Os Beatles tinham até mambo, eram roqueiros e faziam musica pop. Tá aí um bom exemplo a ser seguido. Música sem preconceitos, sem limites. Não sei nem se respondi a pergunta.. Me emocionei aqui e falei de varias coisas. :)

E pós Meca, o que 2013 promete?

Depois do Meca quero lançar o disco! Fazer um show de lançamento. Vamos para São Paulo tocar, vamos encarar outro lugares e voar cada vez mais alto. Já temos músicas novas para gravar e estamos até pensando em dar um giro pela Europa e ver o que acontece. Queremos explorar o mundo, descobrir coisas novas e colocar nas nossas músicas tudo aquilo que a gente viu e que nos emocionou. 2013 promete ser um ano excelente para a Tess. Tenho certeza de que vamos dar muitos passos para frente nesse ano!

Tess. Créditos: Ricardo Lage

Tess. Créditos: Ricardo Lage

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